O início de um sonho

No coração das Gerais, entre montanhas que guardam segredos de séculos, nasceu uma casa de esperança. A Vila Educacional de Meninas, carinhosamente chamada de VEM, não surgiu apenas como uma instituição, mas como um lar de sonhos, um espaço onde cada menina encontra a chance de florescer.
Ali, entre risos no pátio, cadernos abertos e olhares curiosos, constrói-se diariamente uma história silenciosa e grandiosa. Uma história feita de mãos que cuidam, de vozes que ensinam, de abraços que protegem. A VEM é mais que paredes e salas: é um coração coletivo que pulsa pelo futuro.
Foi em meados de 1992, quando o casal suíço Irene e Bernardo Bislin visitava a cidade de Diamantina, que o destino começou a se desenhar. Numa roda de conversa com o senhor Geraldo Miranda, então presidente da Vara da Infância e Juventude, surgiu a semente: criar um espaço para meninas, já que os meninos já contavam com a EPIL. Irene, atenta e sensível, registrou cada detalhe daquela ideia.
O casal, que inicialmente pensava em desenvolver um projeto na África, encontrou em Diamantina o chamado que mudaria suas vidas. De volta à Suíça, começaram a mobilizar amigos e conterrâneos, levantando recursos para erguer a futura sede. Enquanto isso, mudaram-se de Belo Horizonte para Diamantina e abriram sua própria casa — a chácara do Dr. Leo — para acolher as primeiras seis meninas.
Mas era preciso mais do que abrigo: era necessário alguém que conduzisse a educação. Foi então que surgiu Angelita, indicada pelo secretário de educação, que abraçou a missão com dedicação e profissionalismo. Assim, em 1993, nascia oficialmente a VEM, com seis meninas inaugurando uma história que se multiplicaria ao longo dos anos.
A construção da Vila
Em 1995, a sede própria foi inaugurada, recebendo 24 meninas. No ano seguinte, já eram 36. Em 1997, 48. Em 1998, 60 — e Irene registrou em seu diário: “Estamos no limite.” Mas o coração da VEM nunca conheceu limites.
A cada ano, novas histórias se somavam. Meninas que chegavam tímidas, muitas vezes marcadas por dificuldades, encontravam ali um espaço de acolhimento, de estudo, de convivência. A VEM não oferecia apenas teto e comida, mas também dignidade, afeto e a possibilidade de sonhar com um futuro diferente.
Linha do tempo do acolhimento
• 1993 – Início com 6 meninas na chácara do Dr. Leo
• 1995 – Inauguração da sede, 24 meninas
• 1996 – 36 meninas
• 1997 – 48 meninas
• 1998 – 60 meninas
• 2025 – Entre 110 e 115 meninas acolhidas


Os pilares humanos
A história da VEM não pode ser contada sem lembrar de seus protagonistas.
• Geraldo Miranda, o idealizador, que sonhou com um espaço para meninas e lançou a semente.
• Irene e Bernardo Bislin, o casal suíço que acreditou no sonho, mobilizou recursos e fundou a instituição.
• Angelita, a primeira educadora, que deu forma pedagógica ao acolhimento e marcou o início da caminhada.
Esses nomes se tornaram símbolos de coragem, solidariedade e compromisso com a infância.
O legado de 32 anos
Hoje, em 2025, a VEM celebra 32 anos de existência. São mais de três décadas de histórias entrelaçadas, de meninas que se tornaram mulheres, de vidas transformadas pelo poder da educação e do cuidado.
A Vila Educacional de Meninas é mais do que uma instituição: é um testemunho vivo de que sonhos compartilhados podem mudar destinos. É a prova de que quando mãos se unem em torno de uma causa justa, o impossível se torna realidade.
E assim, entre as montanhas de Minas, continua a pulsar o coração da VEM — um coração que bate no compasso da esperança, da dignidade e do futuro.